sábado, 4 de junho de 2011

O Homem que não amava



   Ele caminhava com os olhos perdidos na extensa rua que se formava a sua frente, suas mãos geladas dentro do bolso de sua parca preta e seu nariz tão frio que nem podia senti-lo, sua garganta estava cerrada e o vento que vinha do mar balançava seus cabelos castanhos que iam até o ombro, sua pele tão clara, e seus lábios tremendo, estava tão cansado, que não percebia o quanto já tinha se distanciado de sua vida. Para os outros que não estavam a sua volta era uma pessoa comum e despercebida, mas o que sente uma pessoa que não sente nada? Não entendia o que é sofrer por uma pessoa, ou amar uma pessoa. As pessoas se afastavam, pelo fato de não entenderem que ele não ia se importa, mas ele compreendia. Será que é difícil de entender que ele nunca teria alguém ao seu lado?

   Bem, um dia ele conheceu uma mulher, e se tornaram grandes amigos, mas nada passava disso. Uma mulher linda, cabelos compridos e tão pretos, olhos e sorrisos grandes, uma mente cheia de conhecimento, passou a amá-lo, o problema não foi só dele, mas também como se sente uma pessoa que ama outra, e a outra não poder amar essa pessoa? Ela o amava tanto, tanto, mas tanto, que por não compreender ambos os sentimentos, partiu seu coração em pedaços com um tiro suicida.
Agora ele estava triste? Agora ele iria chorar? Não! Porem entendia que foi por sua causa, por sua culpa e ele apenas pensava. Distanciou-se das pessoas que conhecia, quando começaram a culpá-lo, e ele só tinha a si e sua estúpida mente super inteligente que não sentia.
Parou para observar o mar, se sentou na areia molhada, logo após uns minutos entrou na água, mergulhando cada vez mais fundo, tão fundo que começou a sentir um desespero e agonia, que implorava por ar, e ele ia cada vez mais fundo, pelas águas tão frias que chegavam a queimar, até seus olhos fecharem e sua mente apagar, seu coração parando, seu corpo perdido nas águas, ele morreu. Morreu por dignidade, por educação e com um vazio dentro de si mesmo formado apenas por um ponto de interrogação.