quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Funeral

Acordei cedo de manhã, como num relógio mental, e como sempre, os mesmos sonhos e pesadelos. Vou ao banheiro e olho no espelho um rosto cansado e comum, agora suado e lavo minhas mãos, esfregando-as no meu rosto que continua com a mesma expressão.

Uma linha de sol que saí da janela da cozinha pode ser a única luz que permanece presente. Meus olhos cansados, agora seguem na escuridão, e minhas mãos abrem a janela que agora, ilumina meu rosto e metade de minha cozinha, sento num canto da parede aonde ainda habita parte de uma escuridão e minha vida passa em alguns segundos de olhos fechados, que parecem não enxergar mais a realidade.
Uma luz preguiçosa aparece na memória, e num campo largo vejo uma arvore grande, que sozinha, parecia cheia de vida e do seu lado, uma mulher sentada, linda que posso ouvir suas risadas vagarosamente, junto a uma criança que com seus olhos grandes e cheios de luz, lembravam aos da mulher ali presente. Avistando-me, dão um sorriso para mim, e eu posso entender os lábios carnudos de minha mulher pronunciar “Eu te amo!”. E aquela imagem vai se afastando, afastando, até o ponto de toda a alegria do lugar virar uma mansidão em preto, que de um sorriso antes, agora um grito agonizante feminino e choros de uma criança ecoam na minha cabeça. Meus olhos se abrem e cheios de lágrima, e um desesperado medo agora são visíveis em minha face, agora com a luz do sol. Minha respiração forte vai se acalmando e minhas mão agora tremem menos.
Mas ainda estou vivo, meu coração ainda parece estar batendo.
................................................... João Victor Elias

Um comentário:

  1. mto bom
    kara vc escreve mto bem...
    parabens!!! *_*

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