quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Lágrimas Congeladas


Meus medos esquecidos,
Parecem me assustar ultimamente
A dor tem o mesmo sabor antigo
E já aprendi a ser forte para todo o resto

Mas alguma lagrima do passado
Permanece nos meus olhos, e não quer sair
Isso tranca toda minha felicidade
E não é bom começar novamente

Eu sei que é amargo esse sabor
Mas ele mente para mim mesmo, é a mentira mais perfeita
A monotonia já é normal aqui dentro
São sempre os mesmo sentimentos de despontamento

A única certeza da minha vida é a dor
Eu sei que ela sempre vai estar aqui
E vai me beijar a qualquer momento
Sempre, para toda a eternidade

sábado, 4 de junho de 2011

O Homem que não amava



   Ele caminhava com os olhos perdidos na extensa rua que se formava a sua frente, suas mãos geladas dentro do bolso de sua parca preta e seu nariz tão frio que nem podia senti-lo, sua garganta estava cerrada e o vento que vinha do mar balançava seus cabelos castanhos que iam até o ombro, sua pele tão clara, e seus lábios tremendo, estava tão cansado, que não percebia o quanto já tinha se distanciado de sua vida. Para os outros que não estavam a sua volta era uma pessoa comum e despercebida, mas o que sente uma pessoa que não sente nada? Não entendia o que é sofrer por uma pessoa, ou amar uma pessoa. As pessoas se afastavam, pelo fato de não entenderem que ele não ia se importa, mas ele compreendia. Será que é difícil de entender que ele nunca teria alguém ao seu lado?

   Bem, um dia ele conheceu uma mulher, e se tornaram grandes amigos, mas nada passava disso. Uma mulher linda, cabelos compridos e tão pretos, olhos e sorrisos grandes, uma mente cheia de conhecimento, passou a amá-lo, o problema não foi só dele, mas também como se sente uma pessoa que ama outra, e a outra não poder amar essa pessoa? Ela o amava tanto, tanto, mas tanto, que por não compreender ambos os sentimentos, partiu seu coração em pedaços com um tiro suicida.
Agora ele estava triste? Agora ele iria chorar? Não! Porem entendia que foi por sua causa, por sua culpa e ele apenas pensava. Distanciou-se das pessoas que conhecia, quando começaram a culpá-lo, e ele só tinha a si e sua estúpida mente super inteligente que não sentia.
Parou para observar o mar, se sentou na areia molhada, logo após uns minutos entrou na água, mergulhando cada vez mais fundo, tão fundo que começou a sentir um desespero e agonia, que implorava por ar, e ele ia cada vez mais fundo, pelas águas tão frias que chegavam a queimar, até seus olhos fecharem e sua mente apagar, seu coração parando, seu corpo perdido nas águas, ele morreu. Morreu por dignidade, por educação e com um vazio dentro de si mesmo formado apenas por um ponto de interrogação.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Funeral

Acordei cedo de manhã, como num relógio mental, e como sempre, os mesmos sonhos e pesadelos. Vou ao banheiro e olho no espelho um rosto cansado e comum, agora suado e lavo minhas mãos, esfregando-as no meu rosto que continua com a mesma expressão.

Uma linha de sol que saí da janela da cozinha pode ser a única luz que permanece presente. Meus olhos cansados, agora seguem na escuridão, e minhas mãos abrem a janela que agora, ilumina meu rosto e metade de minha cozinha, sento num canto da parede aonde ainda habita parte de uma escuridão e minha vida passa em alguns segundos de olhos fechados, que parecem não enxergar mais a realidade.
Uma luz preguiçosa aparece na memória, e num campo largo vejo uma arvore grande, que sozinha, parecia cheia de vida e do seu lado, uma mulher sentada, linda que posso ouvir suas risadas vagarosamente, junto a uma criança que com seus olhos grandes e cheios de luz, lembravam aos da mulher ali presente. Avistando-me, dão um sorriso para mim, e eu posso entender os lábios carnudos de minha mulher pronunciar “Eu te amo!”. E aquela imagem vai se afastando, afastando, até o ponto de toda a alegria do lugar virar uma mansidão em preto, que de um sorriso antes, agora um grito agonizante feminino e choros de uma criança ecoam na minha cabeça. Meus olhos se abrem e cheios de lágrima, e um desesperado medo agora são visíveis em minha face, agora com a luz do sol. Minha respiração forte vai se acalmando e minhas mão agora tremem menos.
Mas ainda estou vivo, meu coração ainda parece estar batendo.
................................................... João Victor Elias

Coração Vendado


Quando fechamos os olhos,
Relembramos aquela sensação
Mas você não esta agora aqui
Quero sentir seus lábios de novo
Minha imaginação não faz o gosto do amor

Por favor, me rendi ao seu coração
O meu está fraco demais para lhe demonstrar
Que realmente, no fim de toda minha dor
Você continua no trono em que construí

Meus olhos não podem enxergar as conseqüências
Você os vendou e nem percebeu, que só enxergava você
Quero sentir de novo o sabor do seu amor
Junto à dor que passei para chegar onde agora
Esta você

Olha em sua volta e sinta o novo cheiro que lhe trouxe
Sinta minha mente, ligada ao seu coração,
Agora feche os olhos, e mostre para mim, realmente...
O que é o amor.

................................................. João Victor Elias